Beneficiários do INSS vão superar pagadores de impostos em 2051
- Reinaldo Stachiw
- 8 de set. de 2024
- 3 min de leitura
Um estudo recente indica que, a partir de 2051, o Brasil terá mais beneficiários da Previdência Social do que pessoas contribuindo com impostos. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o país enfrenta um "rápido e intenso" processo de envelhecimento populacional, com a população idosa prevista para dobrar nos próximos 30 anos.

A pesquisa, conduzida pelos economistas Rogério Nagamine Costanzi e Graziela Ansiliero, se baseou nos dados do Censo de 2022. Segundo o estudo, o desempenho econômico fraco entre 2012 e 2022 teve efeitos negativos no mercado de trabalho, contribuindo para o aumento da informalidade e afetando a cobertura previdenciária.
Crescimento dos beneficiários e impacto financeiro
Em 2025, os custos com benefícios previdenciários devem atingir R$ 1 trilhão, colocando pressão sobre o orçamento público. O aumento da população assistida diminui a margem para outros gastos governamentais, como investimentos em educação, saúde e programas sociais, como a farmácia popular.
Entre 2012 e 2022, o número de trabalhadores ocupados e pagadores de impostos cresceu de 55,8 milhões para 62,5 milhões, representando um aumento de 12% no período. No entanto, o número de aposentados e pensionistas cresceu a um ritmo ainda mais acelerado: de 23,1 milhões para 28,5 milhões, com uma alta de 23,4% nesse intervalo.
O estudo prevê que, em 2030, o Brasil terá 39,9 milhões de beneficiários da Previdência e 63,9 milhões de contribuintes. Já em 2051, as projeções mostram um cenário em que o número de aposentados e pensionistas será de 61,3 milhões, superando os 60,7 milhões de contribuintes.
O desafio do envelhecimento populacional
O pesquisador Rogério Nagamine Costanzi destacou a necessidade de uma nova reforma da Previdência em 2027. "Sabíamos que o Brasil envelheceria, mas o ritmo está mais acelerado do que o esperado. O grande desafio é que a população idosa vai dobrar em 30 anos", afirmou. Ele também alertou para a diminuição da população em idade ativa (16 a 59 anos) nesse mesmo período, o que deve reduzir o número de contribuintes em 13%.
Essa dinâmica demográfica vai pressionar fortemente o sistema previdenciário, já que o número de beneficiários crescerá enquanto o de contribuintes cairá. Um relatório do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) também aponta que o envelhecimento da população em idade para trabalhar será mais intenso do que o previsto há alguns anos.
A reforma de 2019 e as lacunas a serem preenchidas
A reforma da Previdência aprovada em 2019 trouxe mudanças importantes, mas deixou de fora pontos críticos, como a reforma da Previdência Rural e dos servidores públicos estaduais e municipais. Segundo Nagamine, "apenas 1 em cada 3 municípios com regime próprio de Previdência fez uma ampla reforma de benefícios".
Para o pesquisador, os resultados recentes do PIB não são suficientes para melhorar substancialmente o mercado de trabalho e aumentar o número de contribuintes para a Previdência. Ele afirmou que, embora haja uma melhora marginal, a demografia jogará "contra", com o envelhecimento e a redução da população em idade ativa impactando negativamente o crescimento econômico a longo prazo.
Projeções para 2025
A Previdência Social continuará a ser o maior item de despesa da União, excluindo o pagamento de juros e amortização da dívida. Em 2025, os benefícios previdenciários devem custar R$ 998,1 bilhões, representando 49,4% de todas as despesas obrigatórias do governo, conforme as regras do teto de gastos.









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