Bolsonaro tem até esta 4ª para entregar alegações finais ao STF.
- Reinaldo Stachiw
- 13 de ago. de 2025
- 3 min de leitura
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar, e outros 6 acusados de integrar o núcleo crucial da tentativa de golpe de Estado depois das eleições presidenciais de 2022 têm até esta 4ª feira (13.ago.2025) para enviar ao STF (Supremo Tribunal Federal) as alegações finais de defesa. Esta etapa representa a última oportunidade para as defesa apresentarem argumentos baseados nas provas produzidas durante a instrução rocessual.

A fase antecede o julgamento pela 1ª Turma do STF, que deve ser realizado em setembro. A definição da data caberá ao presidente do colegiado, ministro Cristiano Zanin. Também integram a Turma os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Luiz Fux.
Os ministros vão decidir se os réus serão absolvidos ou condenados por crimes como golpe de Estado, abolição violenta do Estado democrático de Direito e organização criminosa armada.
A PGR (Procuradoria Geral da República) afirma que o grupo executou um plano para
manter Bolsonaro no poder mesmo depois da derrota no pleito de 2022, incluindo por
meio de ações para enfraquecer as instituições democráticas e do planejamento de
assassinato de autoridades, como o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e
Moraes.
Compõem o núcleo, além de Bolsonaro:
• Alexandre Ramagem (PL-RJ), deputado federal e ex-diretor da Abin (Agência
Brasileira de Inteligência);
• Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
• Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
• Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional da
Presidência da República);
• tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
• Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
• Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.
CID JÁ APRESENTOU
O tenente-coronel Mauro Cid, que firmou acordo de delação premiada, apresentou suas
alegações finais em 29 de julho.
A defesa pediu a manutenção dos benefícios previstos no acordo com a PGR, no qual Cid
detalhou reuniões, articulações e ordens recebidas enquanto atuava como ajudante de
ordens de Jair Bolsonaro.
Os advogados também solicitaram a absolvição de Cid. Afirmaram que o militar só
testemunhou os fatos investigados e não participou de atividades criminosas. Foram
anexados diálogos para sustentar que Cid se opunha a qualquer tentativa de ruptura
institucional.
PGR PEDIU CONDENAÇÃO
Em 14 de julho, a PGR pediu ao STF a condenação de Bolsonaro e de outros 7 réus. O
pedido foi apresentado nas alegações finais da ação penal que investiga o chamado núcleo
central da tentativa de golpe de Estado em 2022.
Segundo a PGR, Bolsonaro é apontado como líder da organização criminosa, principal
articulador e maior beneficiário das ações voltadas à ruptura do Estado democrático de
Direito.
A denúncia afirma que Bolsonaro usou o cargo para prejudicar a alternância legítima de
poder nas eleições de 2022 e enfraquecer o livre exercício dos poderes constitucionais,
especialmente do Judiciário.
O processo foi iniciado em fevereiro de 2025, quando a PGR apresentou a denúncia. Em
março, a 1a Turma do STF acolheu a acusação e autorizou a abertura da ação penal. De
abril a junho, foram realizadas as fases de instrução, com coleta de provas, depoimentos e
acareações.
A PGR destaca que Bolsonaro teria promovido a divulgação de uma "narrativa falaciosa"
em canais de comunicação e exercido liderança sobre o grupo para fins pessoais e ilegais.
PRISÃO DOMICILIAR
Em 4 de agosto, Moraes determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro. O ex-presidente
também é investigado em um inquérito separado por possível tentativa de obstrução das
investigações e conspiração contra o Estado brasileiro nos Estados Unidos.
A decisão inflamou Brasília. Congressistas da oposição chegaram a ocupar a Mesa Diretora
em 5 e 6 de agosto para impedir que houvesse votações no plenário.
A decisão monocrática de Moraes também piorou o clima ruim já instalado no STF. Como
mostrou o Poder360, já havia um desconforto entre os ministros quando Moraes ordenou
que fosse colocada a tornozeleira eletrônica em Bolsonaro. Agora, a prisão domiciliar só
ampliou o racha.
Alguns magistrados consideram a medida precipitada, considerando que o julgamento do
ex-presidente deve ser realizado já em setembro, quando ele poderá ser condenado.
Ainda assim, Moraes preferiu restringir a liberdade antes mesmo da sentença final.
Além disso, no Supremo, muitos ministros acreditam que poderão ser alvo das sanções da
Lei Magnitsky, uma espécie de "sentença econômica e financeira" norte-americana que
paralisa quem é enquadrado. Moraes já foi incluído na norma em 30 de julho.
Quem for pego na mira da Magnitsky terá pela frente um caminho longo e difícil para
tentar retomar a vida "normal". Como a decisão é administrativa, do Departamento do
Tesouro dos EUA, é quase impossível que seja revertida enquanto durar o governo do
presidente Donald Trump (Partido Republicano), que ainda tem mais 3 anos e meio pela
frente.









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