Cirurgia de Bolsonaro leva 12h e termina sem complicações.
- Reinaldo Stachiw
- 14 de abr. de 2025
- 3 min de leitura
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve sua cirurgia concluída com sucesso neste domingo (13.abr.2025) às 21h30. O antigo chefe do Executivo foi submetido a uma laparotomia exploradora para desobstruir o intestino e reconstruir a parede abdominal. A notícia foi dada por Michelle Bolsonaro em seu perfil no Instagram. "Cirurgia concluída com sucesso! A Deus, toda honra e toda glória. Estou indo agora para a sala de extubação onde poderei vê-lo", escreveu.

Segundo o boletim médico divulgado minutos depois do post da ex-primeira dama, o
procedimento durou 12 horas. A previsão era que durasse 6 horas. "O procedimento de grande porte teve duração de 12 horas, ocorreu sem intercorrências e sem necessidade de transfusão de sangue. A obstrução intestinal era resultante de uma dobra do intestino delgado que dificultava o trânsito intestinal e que foi desfeita durante o procedimento de liberação das aderências", afirmou a equipe médica liderada pelo médico Cláudio Birolini. Os outros médicos envolvidos no procedimento foram Leandro Echenique, Ricardo Camarinha, Brasil Caiado, Guilherme Meyer e Allisson Barcelos Borges.
ENTENDA A CIRURGIA
De acordo com Bernardo Martins, gastroenterologista do Hospital Santa Lúcia Norte, de
Brasília, a obstrução é uma alteração do fluxo normal do trato intestinal que pode ocorrer
em qualquer altura do intestino proximal até o intestino grosso. Pacientes com esse quadro podem sentir fortes dores abdominais e apresentar náuseas, vômitos, distensão abdominal.
Martins declarou que o objetivo da cirurgia pela qual Bolsonaro passa é entrar na cavidade
abdominal e explorar tudo o que estiver inadequado. "As vezes não fica claro o que vai
ser encontrado no abdômen do paciente. O procedimento tenta resolver as anomalias
abdominais que vão ser encontradas".
O especialista afirma que o quadro do ex-presidente era delicado pelo número de intervenções médicas pelas quais passou. Quadros repetidos geram respostas inflamatórias mais agudas. A irritação favorece o aparecimento de novas obstruções.
Existem diversas causas para a obstrução intestinal. As interrupções podem ser mecânicas, ocasionadas por hérnias, tumores, aderências, ou obstruções não mecânicas,
causadas por alterações de eletrólitos como sódio, potássio, cálcio ou desidratação.
João Paulo Carvalho, cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz,
avalia o quadro de Bolsonaro como perigoso. "Pode gerar diversas complicações no organismo do paciente, como desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos. Além disso, quando não tratada, pode levar à necrose do seguimento intestinal obstruído, ocasionando perfuração intestinal e infecção intraabdominal".
Segundo o médico, por causa do alto número de cirurgias na região, "a parede abdominal
tornou-se enfraquecida, aumentando as chances de desenvolver uma hérnia incisional".
Esta foi a 6a cirurgia que Jair Bolsonaro passa por complicações decorrentes da facada que levou em 2018.
SAÚDE DE BOLSONARO
Desde que sofreu o atentado em 2018, Bolsonaro foi internado várias vezes. Na ocasião,
ele foi esfaqueado e teve o intestino perfurado. De lá para cá, o ex-presidente realizou 10
cirurgias.
Ao todo, 6 procedimentos tiveram relação com o ferimento na barriga. Em julho de 2021,
o ex-presidente apresentou soluços persistentes e foi internado depois de ser
diagnosticado com suboclusão intestinal. Oclusão é uma obstrução, quando a alimentação e as secreções não conseguem progredir pelo tubo digestivo. No caso do ex-presidente, o termo "suboclusão" indica que há uma obstrução parcial. A suboclusão é uma oclusão incompleta.
ENTENDA
Bolsonaro desembarcou no Rio Grande do Norte na noite da 5a feira (10.abr) para a inauguração do Rota 22 na 6a feira (ll.abr), projeto do partido para ampliar o alcance de
pautas da oposição com foco no Nordeste.
Nos compromissos estavam a passagem pelas cidades de Acari, Oiticica e Pau dos Ferros.
No entanto, ele começou a sentir fortes dores abdominais ainda em Tangará e a agenda foi
suspensa. O desconforto é por consequência da facada que Bolsonaro sofreu em 2018.
A comitiva então acelerou em direção à Santa Cruz, a 64 km de Bom Jesus, onde o ex-
presidente foi atendido no pronto-socorro do hospital regional da cidade. De lá, foi transferido de helicóptero para a capital. Pousou no hospital Walfredo Gurgel e seguiu de ambulância para o Hospital Rio Grande, onde deu entrada por volta das 11h15.









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