“Pé-de-Meia” de professores será superior a R$ 500 por mês, diz MEC.
- Reinaldo Stachiw
- 2 de nov. de 2024
- 3 min de leitura
O ministro da Educação, Camilo Santana, detalhou nesta 6a feira (10 nov.2024) algumas
medidas de valorização de professores que serão anunciadas em novembro. Dentre elas: o
valor do Pé-de-Meia da licenciatura, o uso do Enade na seleção unificada para o magistério
e o desenho de um programa para a educação no estilo do Mais Médicos.

Segundo o chefe do órgão, a bolsa de apoio para quem escolher cursos de licenciatura no
ensino superior será superior a R$ 500 por mês. A iniciativa faz parte de um pacote de
medidas para incentivar a entrada de jovens na carreira.
Na Reunião Global da Educação, evento realizado pela Unesco, o ministro disse a
jornalistas que o critério de seleção para o Pé-de-Meia deverá ser por desempenho no
Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
Na 4a feira (30.out), o ministro havia adiantado algumas das ações para valorizar as
carreiras de licenciatura no país. O tema foi discutido durante o encontro de chefes da
educação do G20, em Fortaleza (CE). Há uma preocupação global com o deficit de
profissionais da educação, que projeta ser cerca de 44 milhões no mundo, segundo a
Unesco.
SELEÇÃO UNIFICADA
Sobre o concurso unificado da licenciatura, Camilo afirmou que uma das propostas na
mesa é o uso do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), que avalia o
rendimento dos concluintes dos cursos de graduação. A avaliação é aplicada a cada 3 anos.
A partir de 2024, no entanto, os cursos de licenciatura passarão a ser avaliados
anualmente pelo exame. O chefe da Educação reforçou que a seleção unificada, assim como todos programas do órgão, serão por adesão dos Estados e municípios. A intenção do MEC é padronizar a seleção.
"MAIS PROFESSORES"
Por fim, o órgão ainda estuda criar um programa para professores nos moldes do Mais
Médicos. "Estamos desenhando uma espécie de "Mais Professores', numa lógica com o 'Mais Médicos', para que aquele professor possa receber um plus a mais no salário dele, para ele ir para aquela escola, para aquela cidade que não tem um professor. O governo federal pagaria ele para ir para um município que não tem", declarou o ministro.
A iniciativa foi citada no último dia da Reunião Global de Educação, evento organizado pela
Unesco, que reúne líderes da área de todo o mundo e é realizado na sequência do GT de
Educação do G20. O principal tema discutido na reunião são as iniciativas para financiar a
educação pública global.
No discurso de encerramento do G20, Camilo Santana frisou o subfinanciamento global da
área e voltou a defender a ampliação de investimentos. Ele ainda refutou mudanças
constitucionais em fundos. O tema foi aventado na esteira de uma limitação global de
investimentos estudada pela Fazenda.
CEARÁ: CENTRO GLOBAL DA EDUCAÇÃO
O MEC realiza de 29 de outubro a 10 de novembro a semana "Ceará: Centro Global de
Educação", em Fortaleza (CE). A capital cearense sedia a reunião de ministros de Educação da 3a e última etapa do GT (Grupo de Trabalho) de Educação do G20. Em paralelo, é realizada a GEM (Reunião Global de Educação, na sigla em inglês), organizada em parceria com a Unesco.
Os 2 encontros promovem debates sobre a educação entre as 20 maiores economias do
mundo e organizações multilaterais. A valorização de professores, conteúdo pedagógico
digital e o engajamento entre escola e comunidade são os principais temas do GT sob a
presidência brasileira.
Nesta 6a feira (10. nov), líderes globais de educação se reuniram para falar sobre os
desafios do financiamento na área. Os países assinaram a Declaração de Fortaleza, que
aborda a crise global de educação e propõe ações multissetoriais para enfrentar os
problemas discutidos no encontro. Leia a íntegra do documento (PDF - 3 MB).
Eis as ações prioritárias para aumentar o investimento na educação, às quais os países se
comprometeram:
• aumentar a arrecadação doméstica com reformas tributárias progressivas - o objetivo
é atingir a meta de 15% da relação impostos/PlB (Produto Interno Bruto) para financiar
serviços básicos do Estado, incluindo a educação;
• priorizar a educação no orçamento - alocar pelo menos 4-6% do PIB elou 15-20% do
gasto público total para a educação;
• busca de auxílio internacional - os países doadores devem alinhar ajuda internacional
aos planos nacionais de educação com o objetivo de atingir a meta de 0,7% da RNB
(renda nacional bruta), ou seja, do valor agregado dos saldos brutos das rendas
primárias dos países do norte global;
políticas de financiamento equitativas – priorizar alunos e comunidades marginalizadas e desfavorecidas nas políticas de financiamento; investir em professores – tornar a profissão mais atrativa, melhorando o status, salários e condições de trabalho; fortalecer a aprendizagem básica – assegurar pelo menos 1 ano de pré-escola gratuita e obrigatória e aprendizagem fundamental na língua materna que englobe alfabetização, matemática, desenvolvimento cognitivo e socioemocional.









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