Reinaldo Stachiw: e a saúde do homem, onde fica?
- Reinaldo Stachiw
- 7 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
É inegável a importância das campanhas de conscientização voltadas às mulheres. Outubro Rosa, políticas públicas específicas, programas de atendimento prioritário e diversos investimentos são ações necessárias e justas. A principal conquista recente das mulheres talvez seja a Lei Maria da Penha, que representa um avanço histórico no enfrentamento da violência doméstica — um problema grave e recorrente que atinge milhares de brasileiras.

No entanto, enquanto os direitos das mulheres avançam com visibilidade e apoio público, é preciso levantar uma questão muitas vezes ignorada: por que a saúde do homem segue sendo tão negligenciada?
Homens morrem mais que mulheres em quase todas as faixas etárias. São maioria entre as vítimas de acidentes de trabalho, doenças cardiovasculares, câncer de pulmão, cirrose hepática, suicídio e também violência urbana. No ambiente profissional, também lideram as estatísticas de mortes por acidentes. Mesmo assim, o sistema de saúde oferece poucas ações preventivas voltadas ao público masculino.
É curioso notar que, enquanto as mulheres contam com campanhas de prevenção ao longo do ano todo, os homens têm apenas o Novembro Azul — e, muitas vezes, reduzido apenas à prevenção do câncer de próstata, com foco em um único exame. Isso é insuficiente diante da realidade alarmante que os números revelam.
Além da ausência de políticas públicas consistentes, ainda existe um obstáculo cultural: o homem é educado a não demonstrar fraqueza, o que o afasta dos consultórios e o aproxima das estatísticas de mortalidade precoce. A masculinidade tradicional, nesse contexto, se torna uma armadilha.
É necessário repensar esse desequilíbrio. Valorizar a saúde do homem não significa tirar espaço das mulheres, mas reconhecer que também existe uma desigualdade no cuidado e no acesso. Assim como a sociedade se mobilizou — com razão — para proteger as mulheres da violência e da omissão, é hora de construir um olhar mais justo e equilibrado também para a saúde do homem.
Não se vive de campanha de um mês. Vidas masculinas também importam — e precisam ser protegidas o ano inteiro.









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