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Relator volta atrás e apoia inclusão de carnes na cesta isenta

O relator do Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 68/2024, que trata da reforma tributária, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), voltou atrás sobre a ausência de carnes na cesta básica isenta e disse que aceitaria a inclusão das proteínas animais na lista de itens a serem isentos de impostos.


“Eu sei que todos aqui, assim como o presidente Lula se manifestou, [acredita] que nós devemos garantir ao povo brasileiro acesso à proteína e proteína de qualidade”, disse Reginaldo no plenário.


Como o texto-base já havia sido votado, o destaque do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, precisou ser votado para a inclusão das carnes na cesta isenta de tributos. O destaque também inclui derivados, com diferentes tipos de queijos. A inserção das carnes pode aumentar a alíquota geral, hoje orçada em 26,5%, em 0,53 p.p., segundo cálculo do Ministério da Fazenda. O PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, votou pela inclusão.


Com a aprovação do destaque, a Câmara encerra a votação do primeiro projeto que regulamenta a reforma tributária. Agora, o texto segue para o Senado Federal.


Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que quanto mais exceções forem incluídas na regulamentação, maior será a alíquota geral dos impostos que serão criados por ela.


Eis os itens inseridos na cesta básica isenta com o destaque aprovado:


Carnes bovina, suína, ovina, caprina e de aves e produtos de origem animal (exceto Foies gras), carne caprina e miudezas comestíveis de ovinos e caprinos classificadas;

Peixes e carnes de peixes (exceto salmonídeos, atuns; bacalhaus, hadoque, saithe e ovas e outros subprodutos);

Queijos tipo mozarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota, requeijão, queijo provolone, queijo parmesão, queijo fresco não maturado e queijo do reino;

Sal (incluindo o sal de mesa e o sal desnaturado) e cloreto de sódio puro, mesmo em solução aquosa ou adicionados de agentes antiaglomerantes ou e agentes que assegurem uma boa fluidez, e água do mar e sal de mesa iodado.

Além das proteínas animais, contemplam as cesta básica isenta de impostos os seguintes itens:


Arroz das subposições 1006.2 e 1006.3 da NCM/SH;

Leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, leite em pó, integral, semidesnatado ou desnatado; e fórmulas infantis definidas por previsão legal específica;

Manteiga do código 0405.10.00 da NCM/SH;

Margarina do código 1517.10.00 da NCM/SH;

Feijões dos códigos 0713.33.19, 0713.33.29, 0713.33.99 e 0713.35.90 da NCM/SH;

Raízes e tubérculos da posição 07.14 da NCM/SH;

Cocos da subposição 0801.1 da NCM/SH;

Café da posição 09.01 e da subposição 2101.1, ambos da NCM/SH;

Óleo de soja da posição 15.07 da NCM/SH;

Farinha de mandioca classificada no código 1106.20.00 da NCM/SH;

Farinha, grumos e sêmolas, de milho, dos códigos 1102.20.00 e 1103.13.00 da NCM; e grãos esmagados ou em flocos, de milho, classificados no código 1104.19.00 da NCM/SH;

Farinha de trigo do código 1101.00.10 da NCM/SH;

Açúcar classificado nos códigos 1701.14.00 e 1701.99.00 da NCM/SH;

Massas alimentícias da subposição 1902.1 da NCM/SH;

Pão do tipo comum (contendo apenas farinha de cereais, fermento biológico, água e sal) classificado no código 1905.90.90 da NCM/SH;

Óleo de milho;

Aveia; e

Farinhas.


Carne foi a maior polêmica das últimas semanas

O grupo de trabalho (GT) que analisou o PLP 68 não inseriu as carnes por não querer mexer na alíquota padrão e também por entender que isso precisava ser uma decisão política da Câmara. Na proposta inicial do governo, a isenção era parcial, de 60% em relação a alíquota padrão.


Desde a semana passada, esse era o ponto mais polêmico do projeto. Apesar de enviar o texto sem as carnes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a defender, em diferentes momentos, a isenção do frango. Segundo o petista, a medida beneficiaria a proteína animal consumida pelas pessoas mais pobres.


O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), havia externado publicamente sua contrariedade à inclusão das carnes. Um dos motivos era a preocupação de ser colocada a pecha de que a Casa foi a responsável pela alta da alíquota geral do novo sistema tributário.


Com deputados do PT ao PL votando a favor do destaque, foi contemplada a ideia de que os partidos precisavam colocar sua digital em um possível ônus do aumento da alíquota geral.

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