Sob 3º Mandato de Lula, Risco Fiscal Aumenta e Dólar Sobe 5,9%
- Reinaldo Stachiw
- 30 de jun. de 2024
- 3 min de leitura
Juros caíram e inflação desacelerou desde que o petista assumiu a Presidência em 2023; saiba o desempenho de outros indicadores no período
Passados 18 meses do 3º mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os indicadores econômicos do Brasil apresentaram resultados mistos. Alguns se mostraram promissores, enquanto outros deixaram a desejar. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,9% no primeiro ano, superando as projeções iniciais de uma expansão de apenas 0,7% em 2023. No entanto, as contas públicas registraram um déficit superior a R$ 260 bilhões, os piores números desde a pandemia de covid-19.

As perspectivas para as contas públicas permanecem desafiadoras. Lula não demonstra compromisso em cortar gastos, o que é apontado como a principal razão para o aumento do déficit, apesar do crescimento na arrecadação. O temor dos analistas de mercado em relação à política fiscal fez com que o dólar valorizasse em relação ao real, alcançando a maior cotação deste governo, a R$ 5,59. Desde o início do mandato de Lula, o dólar acumulou uma alta de 5,9%, subindo de R$ 5,28 para R$ 5,59.
Aceleração do Crescimento e Preocupações do Mercado
A aceleração do crescimento econômico em maio e junho de 2024 foi impulsionada por dois fatores principais que preocupam o mercado financeiro:
Risco Fiscal: A equipe econômica adotou um discurso de redução de despesas. No entanto, o presidente ainda não definiu se é necessário aumentar a arrecadação antes de pensar em cortar gastos.
Sucessão do Banco Central: Lula critica a autoridade monetária, especialmente o presidente Roberto Campos Neto, gerando preocupações de que ele possa indicar um sucessor mais flexível com a inflação alta em 2025.
Juros e Inflação
As preocupações em relação à situação do Banco Central se intensificaram em 28 de junho de 2024, quando Lula afirmou que os juros iriam "melhorar" após ele indicar um novo presidente para a autoridade monetária. A Selic, que estava em 13,75% ao ano quando Lula assumiu a presidência, caiu para 10,50% em junho de 2024, uma redução de 3,25 pontos percentuais desde janeiro de 2023. O ciclo de cortes na taxa básica de juros começou apenas em agosto de 2023, após sete meses de mandato.
Desde então, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica sete vezes, com seis reduções de 0,5 ponto percentual e uma de 0,25 ponto percentual. No entanto, os cortes chegaram ao fim na reunião de junho, marcada pelo aperto monetário das nações desenvolvidas, pelas incertezas fiscais brasileiras e pela inflação acelerada em maio.
A inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acelerou para 3,93% no acumulado de 12 meses até maio, acima da meta de 3%, mas abaixo do teto de 4,5%. A aceleração da inflação em maio, influenciada pela situação de calamidade no Rio Grande do Sul e pelas incertezas fiscais, levou o mercado a revisar para cima as projeções de alta nos preços:
2024: estimativa passou de 3,69% para 3,98%.
2025: passou de 3,30% para 3,85%.
2026: passou de 3,18% para 3,60%.
Conclusão
O terceiro mandato de Lula apresenta um cenário econômico misto, com crescimento do PIB surpreendendo positivamente, mas com um aumento significativo no déficit fiscal e na valorização do dólar. As incertezas fiscais e a sucessão do Banco Central continuam a preocupar o mercado, impactando as expectativas de inflação para os próximos anos. A trajetória dos juros e da inflação será crucial para definir os rumos da economia brasileira nos próximos meses.
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